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sexta-feira, 7 de março de 2008

Os Carbonos respirando a psicodelia


Os Carbonos respirando a psicodelia
Por: Gabriel Passos*

Em 1969, a psicodelia ainda estava surgindo no Brasil. Muitos artistas já aderiam ao estilo - por vontade própria ou dos empresários, ou seja, por dinheiro, como muitos que conhecemos. E o grupo Os Carbonos são um ótimo exemplo. Tendo dois irmãos gêmeos, Mário e Raul - é daí que vem o nome do grupo - fizeram muito sucesso com versões de canções que estouravam no mundo inteiro. Em 1969, já tinham gravado psicodelia: "Estou Ficando Louco", com Edson Wander, que teve a sua concepção nas viagens lisérgicas de Nelson Ned. "A gente nem sabia o que era isso... Ele só fez a música e eu gostei", diz Edson. O grupo fez um arranjo com guitarras distorcidas, fuzz e muitos ecos, gerados pelo operador da mesa de som.
Ainda no citado ano, gravaram um dos compactos mais raros do Brasil: "Flash", do psicodélico gaúcho Hermes Aquino, e "Sala de Espera", de Laís Marques. Ao que tudo indica, os arranjos são de Hermes. Algum tempo depois, os dois regravaram as mesmas, em dupla, num também raro compacto¹. Mas porque o compacto d'Os Carbonos seria mais raro que o de Hermes e Laís? Primeiramente, vamos para a dúvida: Até hoje não sabemos se o disco foi comercializado. As poucas cópias que existem nas mãos de colecionadores quase sempre acompanham um carimbo do divulgador, atestando que é uma cópia para promoção. Se foi comercializado - não consta em nenhuma discografia - as cópias foram poucas. O disco não foi bem divulgado e não teve a aceitação do público. Acharam "muito louco", como dizem algumas pessoas da época.
Voltando às músicas, "Flash" repete "Flash luminoso, flash de amor, flash flash flash, flash luminoso meu amor". Canção bem elaborada, recheada de guitarras distorcidas e sintetizadores disfarçados, além de um orgão Hammond, provavelmente um modelo B-3. Em "Sala de Espera", o ar psicodélico é mais presente: Começa com uma levada calma, ao violão, e depois pula para o Rock'N'Roll, com uma letra totalmente ligada ao estilo psicodélico.
Muitos dizem que lembram Os Mutantes, que são melhores que muitas do grupo. Na opinião deste que vos escreve, se chamassem Rita Lee para cantar, ficaria com dúvidas quanto ao grupo que estava executando.
A verdade é que Os Carbonos deixaram sua marca eterna na Psicodelia Brasileira. Queiram ou não queiram, eles são bons "prá chuchu".

¹ Fonte: http://sucessos1000.tripod.com/rock_brasil_rarossss.htm
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Gabriel Passos é colecionador, radialista e escreve neste blog

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Os 40 anos do Canto ao Canto


Os 40 anos do Canto ao Canto
Por: Gabriel Passos *



Há exatamente 40 anos, 1968 estava se iniciando. Isso porque o brasileiro só começa o ano depois do Carnaval. Em 1968, nem tudo era um mar de rosas: No final daquele ano, o AI-5 seria instituído no país e muitas bocas caladas à força. Passeatas, o início da Tropicália, o fim do televisivo "Jovem Guarda" e a morte abrupta do estudante Edson Luís de Lima Souto no dia 28 de Março. Esse é o 1968 que conhecemos e que até hoje ganha as principais páginas de jornais e publicações em geral.
No mesmo ano, mais precisamente em Julho, um jovem cantor nascido em Recife entraria em estúdio para gravar o arrojado "Canto ao Canto de Edson Wânder". Ele mesmo. Edson Wander, no auge de seus vinte e dois anos, realizava o sonho de gravar um Long-Play na Copacabana Discos, onde foi contratado em 1966 com a ajuda de Wanderley Cardoso, maior estrela da gravadora na época. Na ficha técnica, entre outros, estavam o maestro Pachequinho, o ainda jovem e desconhecido técnico de som Mazola - Com um só "Z" - e Ismael Corrêa, diretor da gravadora. A foto ficou com a Foto Mafra, responsável por ensaios fotográficos de inúmeras gravadoras e publicações, e o poético texto com Ricardo Galeno.
Já na gravadora para acertar os últimos detalhes, Edson encontraria um moço negro que estava divulgando o também cantor Nilton César. Seu nome: Evaldo Braga. Rapidamente Evaldo se aproxima e pede para mostrar uma composição, juntamente com o parceiro Reginaldo José Olice. Alguém dá um violão e Evaldo toca, por completo, "Areia no Meu Caminho". Sem pensar duas vezes, Edson - empolgado com a canção - resolve incluir a mesma em seu disco, excluindo uma que permance inédita até os dias de hoje. Por ironia do destino, tornou-se seu maior sucesso, num disco que também continha composições do famoso radialista e compositor José Messias, Sérgio Reis e Wanderley Cardoso, entre outros. É de José Messias "Prelúdio de Fazer Você Voltar", com ar de Orlando Silva. Já Wanderley Cardoso aparece com "Meu Ar de Tristeza", uma mistura do próprio com Roberto Carlos, regada ao famoso órgão Hammond B-3. Figuram também sucessos como "Tu", "Jovem Triste" e "Desgraça Pouca Não Dá Pra Chorar", esta última com jeito de Paulo Sérgio, então seu cunhado - na época estava tendo um belo romance com Marlene Cavalcanti, irmã de Edson, também cantora.
Depois de alguns dias de ensaio e outros de gravação, a fita master estava pronta. "Foram mais ou menos 100 mil cópias", diz Edson. O lançamento ocorreria em Agosto, onde Edson iniciou mais uma maratona de rádio e TV, apresentando seus sucessos e divulgando o disco que acabara de sair da fábrica.
Relançado na década de 80 pela Beverly, o disco é objeto de desejo de muitos colecionadores. Em alguns pontos do Rio de Janeiro, chega a custar 200 reais - a versão do selo amarelo, promocional. A arrojada equalização da prensagem em 180g. , além de uma arte gráfica mais presente faz da segunda prensagem do disco, realizada no final do ano, ser mais rara que a primeira, de selo azul. Esta última varia de 100 a 150 reais nos mesmos pontos de venda do Rio de Janeiro.
Edson voltaria a gravar em 1969, com a psicodelíssima "Estou Ficando Louco", grava em São Paulo com Os Carbonos. Lançaria outro álbum em 1976, na Odeon, uma compliação de canções gravadas desde 1972. Trazia canções de Osny Silva gravadas em ritmo Beat, Boleros e até um Country-Rock de sua autoria, gravado em 1974.
Há exatos quarenta anos, Edson deixava mais que seu nome marcado na música brasileira. Deixava um álbum histórico. Deixa, mais do que nunca, a sua marca. Pra sempre.


* Gabriel Passos é colecionador, radialista e escreve neste blog

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Demétrius e O Estranho de Cabelos Longos



Demétrius e O Estranho de Cabelos Longos

Por: Gabriel Passos*



Há muito tempo, mais precisamente em 1960, um jovem cantor chamado Demétrius gravou seu primeiro disco, ainda em 78 R.P.M, pela precursora Young. O tempo foi passando e Demétrius, com todo seu talento, foi desenvolvendo discos de sucesso e emplacando nas paradas nacionais. Mas o sucesso veio mesmo em Março de 1964, com "O Ritmo da Chuva", canção que projetaria Demétrius para as paradas de sucesso, podendo ser ouvida até hoje nas rádios mais populares do nosso país. Porém, vieram as novidades musicais e, junto com elas, o ano de 1968. A Tropicália, um movimento onde Caetano Veloso e Gilberto Gil imperavam, surgia. O programa de TV Jovem Guarda chega ao fim, para muitos acabando com o movimento homônimo. Chega 1969. Demétrius não lança nada neste ano. O que estaria fazendo?
Ao contrário do que muitos pensam, Demétrius não parou em 1969. Gravou um compacto promocional que não chegou a ser distribuído em grande escala - teve sua prensagem cancelada depois de algumas cópias, que "vazaram" da gravadora - pela gravadora Continental. Neste compacto o cantor apresenta uma versão sua para "El Extraño Del Pelo Largo", denominada "O Estranho de Cabelos Longos", e a também sua "Hoje a Noite". A primeira, em sua versão original do argentino Lito Nebbia, serviu de inspiração para o filme hômonimo, também argentino, lançado em 1970. Um clássico da psicodelia mundial, diga-se de passagem. Foi gravada pelo grupo equatoriano Los Corvets e pelo argentino La Joven Guardia, logrando êxito em seus países. Já com Demétrius, a música ganha um órgão Hammond e um solo de guitarra no melhor estilo Jimi Hendrix, misturado com uma letra totalmente psicodélica. A segunda música, presente no lado B, é um Rock-Balada de primeira, numa mistura de, digamos, Bread e Antônio Marcos. Não se sabe o porquê da prensagem ter sido cancelada, tampouco o porquê do cantor não ter lançado as músicas oficialmente.
Demétrius voltaria em 1970, com a canção "Meu Velho", no álbum "Clube dos Artistas", da gravadora RGE. Seu compacto promocional, hoje em dia, é disputado por colecionadores da América do Sul, principalmente do nosso país e da Argentina.

* Gabriel Passos é colecionador, radialista e escreve neste blog